Uma proposta cuiabana para o futuro do voto

Por um voto que respeite o planeta — e cada eleitor.

Esta página apresenta uma proposta de sistema de votação mecânico e eletrônico em que a cédula — feita de plástico reciclado de garrafas PET — seria tocada por uma única pessoa do início ao fim: O Eleitor!

Antes de tudo

Não é eletrônico contra impresso.

Por décadas, o debate eleitoral brasileiro ficou preso a um duelo: a urna eletrônica de um lado, o voto impresso do outro. Esta proposta nasce fora desse ringue.

Não se defende voltar ao papel nem abolir o voto eletrônico. Convidamos sua imaginação visualizar um terceiro caminho: um voto ecológico, sustentável e acessível — que buscaria unir o melhor dos dois mundos para oferecer ao eleitor algo que nenhum deles entregou sozinho: a possibilidade de conferir, com os próprios sentidos, que sua intenção foi registrada.

Aqui, o registro físico deixa de ser instrumento de guerra ideológica e se propõe como instrumento de confiança, inclusão e cuidado com o planeta. Uma ideia em construção — feita para ser questionada, testada e melhorada.

A cédula que poderia nascer de uma garrafa

Na proposta, a Cédula de Segurança do voto seria produzida em papel sintético de rPET — a matéria-prima feita a partir de garrafas PET recicladas após o consumo. Pesquisada no Brasil desde os anos 1990 pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), essa tecnologia oferece o que o papel de celulose não oferece: durabilidade, resistência à umidade e estabilidade para guardar um registro que precisa atravessar gerações.

E cada cédula poderia sustentar uma cadeia inteira:

410 mil t

de PET recicladas no Brasil em 2024

56,4%

de índice de reciclagem — o maior entre todas as resinas plásticas

R$ 5,66 bi

movimentados pela cadeia, com ~40% indo para catadores e cooperativas

88% menos energia
130 kg de petróleo

evitados por tonelada reciclada

1,5 kg

de CO₂ evitado a cada garrafa reciclada

~156 milhões

de eleitores: a escala que daria destino estável à economia circular

Material e escolha

Por que não papel térmico?

O papel térmico usado em comprovantes é de baixa durabilidade e não pode ser reciclado. Imaginar milhões de cédulas nesse material a cada ciclo eleitoral seria trocar a confiança eleitoral por um passivo ambiental. O rPET surge como alternativa — e ainda aceita impressão de QR Code e relevo tátil para o braile.

Economia circular

Circular de ponta a ponta

Após o período legal de guarda dos votos, as cédulas poderiam voltar à reciclagem, fechando o ciclo do material. A eleição que começa numa garrafa descartada poderia terminar em nova matéria-prima.

Exemplo de Cédula de Segurança sustentável com registros em texto, códigos QR e escrita tátil em braile
O coração da proposta

Um voto, cinco testemunhos possíveis.

No modelo proposto, cada voto passaria a existir em cinco linguagens diferentes — para que máquinas, redes, olhos e dedos pudessem conferir a mesma informação.

01
O registro que o Brasil já conhece

Digital (RDV)

O Registro Digital do Voto, base da apuração eletrônica atual, seguiria como alicerce. Nada do que funciona precisaria ser descartado.

02
O registro que ninguém apaga

Blockchain

Uma cadeia distribuída e imutável seria proposta como camada adicional de proteção, dificultando qualquer alteração retroativa dos registros.

03
O registro que todo olho lê

Texto

As escolhas impressas em texto claro e legível. Conferência visual direta, sem intermediários.

04
O registro que a criptografia protege

QR Code

Codificaria o voto com a assinatura digital determinística desenvolvida pela equipe técnica do TSE (SBSeg 2017): votos iguais, na mesma urna e seção, produzem assinaturas iguais — autenticidade preservando o sigilo.

05Inédito
O registro que as pontas dos dedos leem

Braile

O registro mais ousado da proposta. Um voto transcrito em escrita tátil — para que o eleitor cego possa conferir a própria escolha com autonomia.

Cinco registros, um único conteúdo. Se todos disserem a mesma coisa, a confiança deixa de ser somente um desejo e passa a ser materializada .

Um sistema mecânico e eletrônico — orientado por um princípio

Só o eleitor toca a cédula.

É o princípio que orienta todo o desenho: da impressão ao lacre final, uma única mão manusearia a cédula sustentável — a do eleitor. Nem mesários, nem técnicos, nem autoridades, nem partidos. A mecatrônica imprime e coleta o voto, como os nossos caixas bancários fazem com os envelopes de depósito.    

  1. 01

    Identificação

    O eleitor se posiciona em frente da Mesa Receptora, que autentica por dupla biometria: impressões digitais e reconhecimento facial.

  2. 02

    Registro

    Ele votaria no DRE da mesa, o dispositivo de registro digital do voto (um tablet ou notebook comercial, ou a urna eletrônica reaproveitada em fase transição).

  3. 03

    Impressão

    A Mesa Receptora Independente emitiria a Cédula de Segurança em rPET, com os registros em texto, QR Code e braile.

  4. 04

    Conferência

    O eleitor conferiria com os olhos (texto), com o celular (QR Code) e com os dedos (braile).

  5. 05

    Decisão

    Correto? Inseriria na Interface Coletora: sensores óticos validariam as assinaturas digitais e a cédula seria armazenada aleatoriamente na Urna Independente. Errou? Inseriria na Interface Fragmentadora: a cédula seria triturada para a Urna Ecológica e o processo recomeçaria do zero.

  6. 06

    Apuração

    A Mesa Independente então envia a totalização dos RDV´s, e a Urna Independente, com os registros físicos do voto, seguiria lacrada (com controle RFID) até a Máquina Apuradora, que verificaria lacres, auditaria assinaturas, compararia os registros e então emitiria o relatório de auditoria, cujo resultado deve bater com o(s) digital(is).

Reaproveitamento e retorno social

Ecodesign embutido

O modelo propõe reaproveitar componentes das urnas eletrônicas atuais (teclados, telas, plásticos) e prevê que tablets e notebooks comerciais usados na votação sejam destinados, depois do pleito, a programas públicos de inclusão digital. O investimento eleitoral poderia virar retorno social.

A inovação mais humana

E se a auditoria manual começasse pelas pontas dos dedos?

Se uma eleição exigir recontagem manual dos votos, a proposta sugere inverter uma lógica histórica de exclusão: as primeiras mãos a auditar poderiam ser as de pessoas cegas, lendo os registros em braile — acompanhadas pelos partidos políticos, que na sequência confeririam os mesmos votos em texto e QR Code. Sempre sob condições técnicas adequadas.

Quem sempre enfrentou barreiras para conferir tornar-se-ia o primeiro a comprovar. É um gesto que aponta na direção da redução das desigualdades — e um recado simples: numa democracia que se quer sustentável, ninguém fiscaliza sozinho e ninguém precisa ficar de fora.

ODS da Agenda 2030

Para uma eleição que deixe o mundo melhor

A proposta dialoga com sete Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU:

  • 8

    ODS 8

    demanda estável potencial para os ~800 mil trabalhadores da reciclagem de PET

  • 9

    ODS 9

    infraestrutura eleitoral com ecodesign, modularidade e durabilidade

  • 10

    ODS 10

    protagonismo possível das pessoas com deficiência visual na conferência e auditoria

  • 12

    ODS 12

    economia circular de ponta a ponta, da garrafa à cédula e de volta

  • 13

    ODS 13

    emissões evitadas em escala eleitoral

  • 16

    ODS 16

    transparência, auditabilidade e confiança nas instituições

  • 17

    ODS 17

    parceria entre Justiça Eleitoral, universidades, cooperativas e indústria

Documentação07

Vá além da landing page.

O votosustentavel.eco é agora o centro de documentação da proposta: a patente de invenção, a monografia do Modelo Mecatrônico, o artigo técnico de 2026 sobre sustentabilidade e acessibilidade, legislação e jurisprudência — tudo aberto para estudo, crítica e aprimoramento. Uma proposta evolutiva se fortalece com o escrutínio de muitos.

Proposta conceitual amparada pela Patente de Invenção BR 102013018558-2 (INPI) — aberta a debate, crítica e aprimoramento.