de PET recicladas no Brasil em 2024
Uma proposta cuiabana para o futuro do voto
Por um voto que respeite o planeta — e cada eleitor.
Esta página apresenta uma proposta de sistema de votação mecânico e eletrônico em que a cédula — feita de plástico reciclado de garrafas PET — seria tocada por uma única pessoa do início ao fim: O Eleitor!
Não é eletrônico contra impresso.
Por décadas, o debate eleitoral brasileiro ficou preso a um duelo: a urna eletrônica de um lado, o voto impresso do outro. Esta proposta nasce fora desse ringue.
Não se defende voltar ao papel nem abolir o voto eletrônico. Convidamos sua imaginação visualizar um terceiro caminho: um voto ecológico, sustentável e acessível — que buscaria unir o melhor dos dois mundos para oferecer ao eleitor algo que nenhum deles entregou sozinho: a possibilidade de conferir, com os próprios sentidos, que sua intenção foi registrada.
Aqui, o registro físico deixa de ser instrumento de guerra ideológica e se propõe como instrumento de confiança, inclusão e cuidado com o planeta. Uma ideia em construção — feita para ser questionada, testada e melhorada.
A cédula que poderia nascer de uma garrafa
Na proposta, a Cédula de Segurança do voto seria produzida em papel sintético de rPET — a matéria-prima feita a partir de garrafas PET recicladas após o consumo. Pesquisada no Brasil desde os anos 1990 pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), essa tecnologia oferece o que o papel de celulose não oferece: durabilidade, resistência à umidade e estabilidade para guardar um registro que precisa atravessar gerações.
E cada cédula poderia sustentar uma cadeia inteira:
de índice de reciclagem — o maior entre todas as resinas plásticas
movimentados pela cadeia, com ~40% indo para catadores e cooperativas
130 kg de petróleo
evitados por tonelada reciclada
de CO₂ evitado a cada garrafa reciclada
de eleitores: a escala que daria destino estável à economia circular
Por que não papel térmico?
O papel térmico usado em comprovantes é de baixa durabilidade e não pode ser reciclado. Imaginar milhões de cédulas nesse material a cada ciclo eleitoral seria trocar a confiança eleitoral por um passivo ambiental. O rPET surge como alternativa — e ainda aceita impressão de QR Code e relevo tátil para o braile.
Circular de ponta a ponta
Após o período legal de guarda dos votos, as cédulas poderiam voltar à reciclagem, fechando o ciclo do material. A eleição que começa numa garrafa descartada poderia terminar em nova matéria-prima.
Um voto, cinco testemunhos possíveis.
No modelo proposto, cada voto passaria a existir em cinco linguagens diferentes — para que máquinas, redes, olhos e dedos pudessem conferir a mesma informação.
Digital (RDV)
O Registro Digital do Voto, base da apuração eletrônica atual, seguiria como alicerce. Nada do que funciona precisaria ser descartado.
Blockchain
Uma cadeia distribuída e imutável seria proposta como camada adicional de proteção, dificultando qualquer alteração retroativa dos registros.
Texto
As escolhas impressas em texto claro e legível. Conferência visual direta, sem intermediários.
QR Code
Codificaria o voto com a assinatura digital determinística desenvolvida pela equipe técnica do TSE (SBSeg 2017): votos iguais, na mesma urna e seção, produzem assinaturas iguais — autenticidade preservando o sigilo.
Braile
O registro mais ousado da proposta. Um voto transcrito em escrita tátil — para que o eleitor cego possa conferir a própria escolha com autonomia.
Cinco registros, um único conteúdo. Se todos disserem a mesma coisa, a confiança deixa de ser somente um desejo e passa a ser materializada .
Um sistema mecânico e eletrônico — orientado por um princípio
- 01
Identificação
O eleitor se posiciona em frente da Mesa Receptora, que autentica por dupla biometria: impressões digitais e reconhecimento facial.
- 02
Registro
Ele votaria no DRE da mesa, o dispositivo de registro digital do voto (um tablet ou notebook comercial, ou a urna eletrônica reaproveitada em fase transição).
- 03
Impressão
A Mesa Receptora Independente emitiria a Cédula de Segurança em rPET, com os registros em texto, QR Code e braile.
- 04
Conferência
O eleitor conferiria com os olhos (texto), com o celular (QR Code) e com os dedos (braile).
- 05
Decisão
Correto? Inseriria na Interface Coletora: sensores óticos validariam as assinaturas digitais e a cédula seria armazenada aleatoriamente na Urna Independente. Errou? Inseriria na Interface Fragmentadora: a cédula seria triturada para a Urna Ecológica e o processo recomeçaria do zero.
- 06
Apuração
A Mesa Independente então envia a totalização dos RDV´s, e a Urna Independente, com os registros físicos do voto, seguiria lacrada (com controle RFID) até a Máquina Apuradora, que verificaria lacres, auditaria assinaturas, compararia os registros e então emitiria o relatório de auditoria, cujo resultado deve bater com o(s) digital(is).
Ecodesign embutido
O modelo propõe reaproveitar componentes das urnas eletrônicas atuais (teclados, telas, plásticos) e prevê que tablets e notebooks comerciais usados na votação sejam destinados, depois do pleito, a programas públicos de inclusão digital. O investimento eleitoral poderia virar retorno social.
E se a auditoria manual começasse pelas pontas dos dedos?
Se uma eleição exigir recontagem manual dos votos, a proposta sugere inverter uma lógica histórica de exclusão: as primeiras mãos a auditar poderiam ser as de pessoas cegas, lendo os registros em braile — acompanhadas pelos partidos políticos, que na sequência confeririam os mesmos votos em texto e QR Code. Sempre sob condições técnicas adequadas.
Quem sempre enfrentou barreiras para conferir tornar-se-ia o primeiro a comprovar. É um gesto que aponta na direção da redução das desigualdades — e um recado simples: numa democracia que se quer sustentável, ninguém fiscaliza sozinho e ninguém precisa ficar de fora.
Para uma eleição que deixe o mundo melhor
A proposta dialoga com sete Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU:
- 8
ODS 8
demanda estável potencial para os ~800 mil trabalhadores da reciclagem de PET
- 9
ODS 9
infraestrutura eleitoral com ecodesign, modularidade e durabilidade
- 10
ODS 10
protagonismo possível das pessoas com deficiência visual na conferência e auditoria
- 12
ODS 12
economia circular de ponta a ponta, da garrafa à cédula e de volta
- 13
ODS 13
emissões evitadas em escala eleitoral
- 16
ODS 16
transparência, auditabilidade e confiança nas instituições
- 17
ODS 17
parceria entre Justiça Eleitoral, universidades, cooperativas e indústria
Vá além da landing page.
O votosustentavel.eco é agora o centro de documentação da proposta: a patente de invenção, a monografia do Modelo Mecatrônico, o artigo técnico de 2026 sobre sustentabilidade e acessibilidade, legislação e jurisprudência — tudo aberto para estudo, crítica e aprimoramento. Uma proposta evolutiva se fortalece com o escrutínio de muitos.
Proposta conceitual amparada pela Patente de Invenção BR 102013018558-2 (INPI) — aberta a debate, crítica e aprimoramento.